"Dai-me a alegria / Do poema de cada dia. / E que ao longo do caminho / Às almas eu distribua / Minha porção de poesia" (Mario Quintana - A cor do invisível. São Paulo: Globo, 2005. p 142)

domingo, 15 de janeiro de 2012
O último poema
Enquanto me davam a extrema-unção,
Eu estava distraído...
Ah, essa mania incorrigível de estar pensando sempre noutra coisa!
Aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia -
E, quando a voz do padre zumbia como um bezouro,
Eu pensava era nos meus primeiros sapatos
Que continuam andando, que continuam andando,
Até hoje
Pelos caminhos deste mundo.
Mario Quintana (Preparativos de viagem, p 127)
Imagem: www.weheartit.com
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Oh delícia isso...
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