"Dai-me a alegria / Do poema de cada dia. / E que ao longo do caminho / Às almas eu distribua / Minha porção de poesia" (Mario Quintana - A cor do invisível. São Paulo: Globo, 2005. p 142)
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Dia de chuva
Dia de chuva
É para a gente rasgar cartas antigas...
Folhear lentamente um livro de poemas...
Não escrever nenhum...
Mario Quintana (Preparativos de viagem, p 135)
Imagem: www.weheartit.com
domingo, 26 de junho de 2011
Ingenuidade
Mas que monótona não deveria ser a vida amorosa de Don Juan! Ele pensava que todas as mulheres eram iguais...
Mario Quintana (A vaca e o hipogrifo, p 247)
Imagem: Retrato de Pagu (meados de 1920)
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Germinal
Planto
com emoção
este verso em teu coração.
Mario Quintana (A vaca e o hipogrifo, p 213)
Imagem: www.deviantart.com
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Os elefantes
- Os elefantes deveriam ser assinzinhos - diz Lili. Tomo nota, não pela idéia, que já deve ter ocorrido utilitariamente a muitos, mas pelo "assinzinhos".
E, na falta de um elefante doméstico, peço a ela que me traga um copo d'água.
Só os novelistas e os seus personagens é que tomam uísque a cada página. Mas, por outro lado, não têm quem lhos traga. Eles próprios se servem.
Mario Quintana (A vaca e o hipogrifo, p 62)
Imagem: www.weheartit.com
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Cujas canções
É costume cada um colocar sua profissão ou títulos nos cartões de visita.
Ora, quem escreve estas linhas já recebeu alguns títulos da generosidade de seus conterrâneos; escolher um só seria indelicadeza com os outros proponentes.
Quanto a mim, sempre fui de opinião que bastava o nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários. Mas eis que a minha camareira fez-me cair em tentação: dá-se o caso que saiu a edição de meu livro Canções, ilustrado por Noêmia e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no "Bric-à-brac da Vida", este o publicou com o meu retrato em dua colunas, e, abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a primeira linha impressa em letras maiúsculas:
MARIO QUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc. etc... Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na cama, sia Balbina não podia ocultar o orgulho que lhe causava o seu hóspede e repetia:
"Cujas canções, hein, cujas canções!"
O seu maior respeito era devido, sem dúvida, à misteriosa palavra "cujas"...
E não sei se resistirei à idéia que me inspirou sia Balbina: imprimir meu cartão de visitas assim:
MARIO QUINTANA
Cujas Canções
Mario Quintana (Porta giratória, p 23)
Imagem: www.deviantart.com
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Exegese
- Mas que quer dizer esse poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
- E que quer dizer uma nuvem? - retruquei triunfante.
- Uma nuvem? - diz ela. - Uma nuvem umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...
Mario Quintana (Sapato florido, p 78)
Citando Fernando Pessoa...
O guardador de rebanhos - XXIX
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem em mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés -
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma...
(O Eu profundo e os outros Eus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p 155)
Imagem: www.deviantart.com
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