quarta-feira, 16 de março de 2011

Canção da chuva e do vento

     
                      
    Dança, Velha. Dança. Dança.
    Põe um pé. Põe outro pé.
    Mais depressa. Mais depressa.
    Põe mais pé. Pé. Pé.

    Upa. Salta. Pula. Agacha.
    Mete pé e mete assento.
    Que o velho agita, frenético,
    O seu chicote do vento.

    Mansinho agora, mansinho.
    Até de todo caíres...
    Que o Velho dorme de velho...
    Sob os arcos do Arco-íris.

    Mario Quintana (Canções, p 52)




Citando Fabio Rocha...

Vento forte
(para Mario Quintana)


O vento aqui não pára.

Nem um segundo,
nem um pouquinho.

Ah, se eu fosse moinho...











Imagem: www.deviantart.com

terça-feira, 15 de março de 2011

Da viuvez



        Ele está morto. Ela, aos ais.
        Mas, neste lúgubre assunto,
        Quem fica viúvo é o defunto...
        Porque esse não casa mais.

        Mario Quintana (Espelho mágico, p 53)


           Imagem: www.deviantart.com

segunda-feira, 14 de março de 2011

Os nomes




     Como não lhes interessa o que parece inútil, os campônios não dão importância às flores do campo. É o que parece. Mas a gente fica a perguntar-se como é que essas flores silvestres conseguiram então ter nomes populares: margaridas, amores-perfeitos, coisas assim!

Mario Quintana (Porta giratória, p 33)




Imagem: Karl Schreiner Photographic

domingo, 13 de março de 2011

Feliz!




     Deitado no alto do carro de feno... com os braços e as pernas abertos em X... e as nuvens, os vôos passando por cima... Por que estradas de abril viajei assim um dia? De que tempos, de que terras guardei essa antiga lembrança, que talvez seja a mais feliz das minhas falsas recordações?

Mario Quintana (Sapato florido, p 55)



Imagem: Mike Goulty

sábado, 12 de março de 2011

Estufa

  


     Que imaginação depravada têm as orquídeas! A sua contemplação escandaliza e fascina. Vivem procurando e criando inéditos coloridos, e estranhas formas, combinações incríveis, como quem procura uma volúpia nova, um sexo novo...

Mario Quintana (Sapato florido, p 68)



Imagem: www.deviantart.com

sexta-feira, 11 de março de 2011

A arte de viver


    A arte de viver
    É simplesmente a arte de conviver...
    Simplesmente, disse eu?
    Mas como é difícil!

    Mario Quintana (Velório sem defunto, p 35)



Imagem: www.deviantart.com