"Dai-me a alegria / Do poema de cada dia. / E que ao longo do caminho / Às almas eu distribua / Minha porção de poesia" (Mario Quintana - A cor do invisível. São Paulo: Globo, 2005. p 142)
domingo, 29 de maio de 2011
Outono
O outono de azulejo e porcelana
Chegou! Minha janela é um céu aberto.
E esse estado de graça quotidiana
Ninguém o tem sob outros céus, decerto!
Agora tudo transluz... tanto mais perto
Quanto mais nossa vista se alontana...
E o morro, além, no seu perfil tão certo,
Até parece em plena vida urbana!
Tuas tristezas o que é feito delas?
Tombaram com as folhas amarelas
Sobre os tanques azuis... Que desaponto!
E agora esse cartaz na alma da gente:
ADIADOS OS SUICÍDIOS... Simplesmente
Porque é abril em Porto Alegre... E pronto!
Mario Quintana (Preparativos de viagem, p 63)
Imagem: www.weheartit.com
sábado, 28 de maio de 2011
Ainda e sempre
Digam o que disserem, mas a Lua continua sendo o LSD dos poetas.
Mario Quintana (Caderno H, p 257)
Imagem: www.weheartit.com
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Gramática da felicidade
Vivemos conjugando o tempo passado (saudade para os românticos) e o tempo futuro (esperança, para os idealistas). Uma gangorra, como vês, cheia de altos e baixos - uma gangorra emocional. Isto acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de vez o Homo sapiens. Mais felizes os animais, que, na sua gramática imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo. E que nem dá tempo para suspiros...
Mario Quintana (A vaca e o hipogrifo, p 65)
terça-feira, 24 de maio de 2011
O visitante matinal
Para que nomes? Era azul e voava...
Mario Quintana (Preparativos de viagem, p 77)
Imagem: www.weheartit.com
sábado, 21 de maio de 2011
O luar
O luar é a luz do sol que está sonhando...
Mario Quintana (Preparativos de viagem, p 125)
Imagem: www.weheartit.com
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O poeta canta a si mesmo
O poeta canta a si mesmo
porque nele é que os olhos das amadas
têm esse brilho a um tempo inocente e perverso...
O poeta canta a si mesmo
porque num seu único verso
pende - lúcida, amarga -
uma gota fugida a esse mar incessante do tempo...
Porque o seu coração é uma porta batendo
a todos os ventos do universo.
Porque além de si mesmo ele não sabe nada
ou que Deus por nascer está tentando agora ansiosamente respirar
neste seu pobre ritmo disperso!
O poeta canta a si mesmo
porque de si mesmo é diverso.
Mario Quintana (Esconderijos do tempo, p 73)
Imagem: www.deviantart.com
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